meu cabelo me irrita. e eu não quero levantar e ver o meu cabelo irritante. tá todo mundo dormindo e, porque acordei irritada, isso me irrita ainda mais. as borboletas que moram no meu estômago não acordaram comigo. começo a pensar e me sinto sozinha, mas com companhia do meu estômago que clama estranha e exageradamente por comida só porque decidi emagrecer essa semana. eu ligo o rádio, música atrapalha o silêncio e me atrapalha pensar. é bom. presto atenção nas letras e chego a acreditar que todos os compositores as fizeram para mim. eu não quero sair hoje porque meus amigos estão um saco. se for pra ouvir problema, me escrevo um bilhete. não quero mais beber. tem dia que eu quero, porque sim. desapareço e não atendo mais o telefone quando fica difícil - mas nem por isso tenho coragem de desligar. mas agora, 15 minutos depois, se for um saco de um amigo, eu atendo. pode ser que eu fuja, deixando o rádio ligado para que quando volte, não comece a pensar. parto e me ocupo com problemas ...
o melhor amigo é menos visto do que o maior inimigo. faz calor no frio. de repente, faz frio no calor. o que era óbvio fica improvável e que o sempre foi fácil, fica difícil. o celular, criado para encontrar pessoas, desencontra. o livro que deveria ser devorado é posto na prateleira porque agora tudo vira filme. acordar de madrugada para buscar a mãe na balada. funcionário tem que ter diploma para o chefe que não terminou o segundo grau. papel reciclado é mais caro que o papel comum. dinheiro na mão é milagre e no banco, é vermelho. dizemos bom dia na internet primeiro do que em casa. pizza doce. sorvete frito. professor não é mestre - é concorrência. GRITO é com caps lock. a lei não é justa, mas é seca. rio virou depósito de lixo e água limpa já é quase comércio - já tem gente até bebendo xixi. embreaga-se para ter coragem, e não mais para esquecer. e as mágoas... enquanto tem muito peixe morrendo afogado em rios de lixo, as mágoas já aprenderam a nadar..
quem não cansa de uma situação? de estar só, de estar com alguém, de ser impedido de fazer algo, de ser proibido sempre. quem é que não se indaga às vezes sobre as coisas mais simples da vida? o que é que falta? o que é que impede? refletir sobre isso geralmente não gera resultado algum. mas as perguntas...elas vão longe. - sabe, tem hora que eu penso se compensa ficar sozinha. - fica sentadinha aí que passa logo. - não, sabe, eu quero dizer que, sei lá, às vezes sinto uma falta de dar tchau e virar para o lado. tô cansando de dar tchau e fechar a porta. mas enquanto isso, não sei se conseguiria ficar dando satisfação disto, abrindo mão daquilo, me perder e acordar anos depois, irritada e deprimida e talvez, por que não, retardada. - ah não. por favor! não se estraga. eu que já quis, invéz de dar tchau, dizer some, sei do que eu to falando. não adianta! você tá de tpm? - que pergunta esclarecedora. obrigada! - não é isso. é que eu também fico carentinha. - não po. não é de hoje isso. e...
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