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saudades do futuro

acordar melancólica. é o dia que não pensamos no que temos ou no que poderemos ter - apenas lamentamos o que teríamos caso o acaso não tivesse interferido. estou com saudades, hoje. saudades de tudo que poderia ter sido, saudade de alguma coisa que não se sabe como exatamente era -- porque não houve tempo para saber como seria. havia a expectativa. mas o que não se concretiza, frustra -- excepcionalmente quando se percorreu um caminho ansiando para que aquilo valesse a pena. e o que sente-se enquanto se ansia é tão bom.. que dá saudade. saudade do que nunca chegou a realmente ter. saudades de um futuro... que nunca vai chegar.

amanhã é 26

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amanhã é vinte e seis. mamãe já disse que os 25 já foram e que hoje, começam meus vinte e seis. vinte e seis. um quarto de século. vou contar uma novidade para vocês, choquem: o tempo passa rápido demais. tão rápido que você ainda escuta o eco das pessoas dizendo que é melhor idade, melhor época, melhoooor or or or. por que? honestidade reinando, eu tenho medo. medo de formar, medo de não formar, medo de pressão, medo da falsidade que você enxerga quanto mais velha você fica, medo de ser tia antes de ser mãe. analisando, eu dizia há uma década que hoje eu gostaria de ser mãe. mãe do que, jesus? existem dias que eu acho que mal consigo cuidar de mim e quero gritar a minha mãe. ou fazer birra porque não me dão o que eu peço. ou entrar no supermercado só na parte de doces. ou só ir na escola. ou ser pura e inocente e usar disso para resolver todos os meus problemas. PARA O MUNDO! eu quero descer, eu não quero vinte e seis. eu quero é ter quinze e achar que com vinte e cinco, eu já teria u...

juízo

desfaço com culpa de ré e refaço com certeza de inocente. não que realmente seja, mas todo mundo é inocente até que... duvidem. não importa o quão onipresente se é para que sementes de discórdia preencham os nossos pequenos espaços de ausência e semeiem julgamentos que caibam à falha, mas esquecem do quão certo você tem sido. ser posto a prova - não importa o quão certo você esteja de que pode passar - é sempre difícil. porque você nunca foi inocente. mas o simples fato de ser descreditado te faz querer desfazer tudo. até o que você não fez.

carta de agradecimento ao papai noel

o óbvio é tão tedioso, papai noel. está certo que todo ano faço alguns mesmos pedidos que você com certeza lê pensando blá blá blá, mas outros, você me atende, e desta vez, essa cartinha vai numa época que você só vai receber o IPVA do diabo do troço que você usa para se locomover (não que eu me importe), mas é uma cartinha para te agradecer, pai noel. obrigada, por ter atendido meu pedido de um ano tranquilo, onde meu couro cabeludo não teve que presenciar tentativas de surgimento de companheiros albinos. obrigada noel, por cumprir sua promessa de um grande ano profissional onde todos os meus queridinhos notaram os esforços e, finalmente, me deram um panetone de natal. obrigada velhinho, por iluminar a minha vida amorosa e deixar tudo tão claro...que eu mal pude enxergar. obrigada seu velho gordo, por me deixar clara e certa de que, esse ano, eu possa ter escolhido o curso errado da minha faculdade tão baratinha. obrigada, seu safado, por nem aparecer este ano. assim, de qualquer for...

quem acha, procura

achou que tinha achado quem queria. mesmo assim, achou melhor que se ocupasse a mente com afazeres, desimportâncias ou porcarias, esqueceria. quando achou que a tática começaria a falhar, achou que definitivamente sim, era quem ele queria. ou pelo menos era o que ele achava. quando as primeiras, segundas, terceiras impressões passaram, ele começou a achar que tinha errado. mas achou que poderia insistir. por acreditar tanto no que achava, esqueceu que não tinha certeza e, quando a teve, achou que era certeza demais. achou que ia enlouquecer...até que, o tão-certo-bem-querer, achou que ele não mais a queria, achando assim, melhor partir. ele achou que esqueceria, tal como antes.. e achava que não tinha que procurar nada. mesmo que às vezes, achasse que seu pecado maior era procurar tanta coisa pra achar.

nada, tudo

superficialmente, a gente tem a pretensão de dar os passos que a gente quer. apenas no fundo, a gente acha que controla tudo o que tem em mãos, se é que tem em mãos. no fundo, bem no fundo, a gente sabe que não sabe de nada. e na verdade, bem na verdade, a gente nada conforme a maré chega: fazendo o possível e impossível pra não se afogar...ou não deixar que o afogamento deixe de ser tragédia e se torne algo... tão tentador.

um certo incerto

pode ser que eu te ache diferente. pode ser porque você me tratou diferente. pode ser porque, quando parece que você simplesmente não se importa, você mostra o contrário. pode ser por suas aparições repentinas... porque, obviamente, não são pelos seus sumiços.  pode ser porque a distância real tornou a pseudo intimidade bem mais fácil: se você estivesse aqui, talvez seria tudo ainda mais difícil. menos certo. menos forte. menos cativo. apesar de seus traços serem um ponto de interrogação para meus olhos, a pretensão de te entender por dentro chuta todo o incerto e corre para ansiedade de destruir tudo o que é difícil. toda distância, saudades e seus eteceteras. pode ser que eu erre. pode ser nunca aconteça. pode ser que destrua tudo o que há de bom. podia ser qualquer coisa, contanto que fosse, seja lá o que fosse.